IMG 1923

 

O artesanato mineiro, considerado um dos mais originais do Brasil, e desperta o interesse nacional e internacional. Para que as políticas públicas possam atingir o segmento de maneira mais efetiva, garantindo benefícios para quem produz, há a Carteira Nacional do Artesão – garantida por uma parceria do Programa Brasileiro do Artesanato (PAB) com os governos estaduais. Em Minas, o objetivo é ampliar e descentralizar as emissões do documento, que é gratuito, atingindo mais áreas do território. 

Para isso, o Estado está capacitando 20 novos técnicos que devem emitir a carteira. Os participantes são das nove coordenadorias regionais do Idene (Montes Claros, Janaúba, Januária, Salinas, Diamantina, Governador Valadares, Teófilo Otoni, Jequitinhonha e Araçuaí), da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Aço (Ipatinga) e do Projeto Minas Indígena da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), que fará o cadastramento em 15 etnias. 

Atualmente, 10 mil artesãos possuem a carteira e a expectativa é de ampliar em 30% o número de credenciados nos próximos meses com essa descentralização. O documento é válido em todo o território brasileiro, concedido a produtores que tenham idade igual ou superior a 16 anos, e busca fomentar a formalização da atividade. Com ele, os artesãos podem ter acesso a cursos, feiras e eventos. 

A capacitação dos técnicos termina nesta quinta-feira (5/3) e é uma promoção conjunta do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste do Estado de Minas Gerais (Idene) e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), por meio da Diretoria de Artesanato. Até então, para adquirir o documento, o interessado só podia agendar o cadastro na Cidade Administrativa e no Centro de Artesanato Mineiro, em Belo Horizonte, ou nas cidades históricas de Ouro Preto e São João del-Rei. 

Descentralização e inclusão

Para a analista do Idene da regional de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, Maria Emília Oliveira, a iniciativa de descentralizar o cadastro democratiza a divulgação e os saberes dos artesãos. “Com esse trabalho eles vão aprender a agregar valor às suas peças. Hoje muitos vendem produtos a preços irrisórios e essa formalização vai ajudá-los”, observa. 

A medida também trará benefícios a cerca de 400 indígenas, que poderão ser atendidos nas próprias aldeias, conforme a coordenadora do projeto Minas Indígena, Adélia Maia. “A carteira vai propiciar a eles igualdade de condições com geração de renda de um ofício tradicional”, avalia.

De acordo com o superintendente de Desenvolvimento de Potencialidades Regionais da Sede, Douglas Cabido, a parceria da pasta com o Idene é fundamental para levar a política mineira do artesanato aonde ela deve chegar. “Em muitos municípios mineiros, o artesanato tem importância econômica, social e cultural, por isso que promovemos esse treinamento para facilitar o acesso do artesão a esse documento que abre portas”, afirma.

“Estamos investindo nessa capacitação, porque acreditamos no trabalho de transformação das realidades regionais. Ao invés de patrocinar feiras, desde o ano passado, o Idene adquire o espaço e por meio de edital público, chama empreendedores e artesãos a ocupá-lo. Esse foi o caminho encontrado para permitir o acesso daqueles que teriam dificuldades de vender seus produtos em eventos especializados”, destaca o chefe de gabinete do Idene, Frederico Tescarolo.

Enviar para impressão